2 de julho de 2017

fosse luz...


fosse luz o andar me deixasse atônito desde as surpresas desde o contraste o amargo leito dentre os solfejos fosse o sol em casas invadindo frestas reluzindo cantos fosse agora tão quanto nunca quente o beijo largado na boca aos domínios do hábito quando estradas dessem no intercâmbio sonoro dos braços os afagos dos fachos lunares na borda esquerda das ilhas que se dissessem o azul eu afogaria o mar em suas próprias ondas deixaria o céu repleto de janelas para em cada uma delas aportar os cotovelos e descansar o peso de noites afiveladas ao concerto acústico dos dentes durante a epifania das falas

fosse o brinde aquele lance esquálido entre seios fartos ante o gracejo amanhecido nas pontas dos dedos entre os vãos das costelas dentro da vontade de se fazer granizos na tarde em que eu desse parabéns por seus anos de vida que deus te abençoe e te guarde amém sempre não se esquecendo de perceber se as portas estão trancadas que o dia começa às cinco e meia da manhã depois de um café engolido junto ao pão esquecido na mesa recheado pela vontade de uma manteiga mais derretida

que os corações enamorados em dias de partida quando aí já não se calam os laços de despedida entre lágrimas entre raios luminosos a luz brilhando no metal do ônibus que partiu de pedaços infinitos a outros pequenos e agudos gestos com destino impresso nas costas de quem me deu o passaporte para perto do acorde dissonante embebido nas ruelas que vão da nuca à vértebra que cisma na envergadura da chegada que é sempre vã que é sempre longa a espera numa caminhada que é sempre fim que é outono lançado entre folhas entre as cascas das mansidões deixadas ao acaso em mansões onde a porta abre o osso exposto na contramão da via que é sempre queda que é a cena da moeda dada ao moribundo

fábio pessanha

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