25 de dezembro de 2016

Meu livro!

Da série “olha aí meu livrinho”, convido os leitores para minha imersão palavral: 

“A palavra não se detém em cabrestos gramaticais, os quais tentam registrar com normas a insurgência de assonâncias sintáticas e coerências. A palavra não tem coerência, o que tem coerência é o que se diz sobre a palavra, mas o que se diz sobre a palavra se afunda no seu próprio enunciado, pois quando um morfema aparece para reter o sentido nevrálgico de uma sílaba, a palavra  menina travessa com pés descalços e cabelos ornamentados com flores  se liberta do jugo semântico-sintático para fundar um novo nome, um novo sentido, um novo chão para pisar e fazer traquinagens. A palavra é travessa por natureza, rumina inconstâncias, tange com mel o labor sinestésico de uma escrita, é fugaz, contraditória, avessa a fórmulas e dicionários. A palavra é a liberdade se dando ao vento, fazendo-se onda no mar, salto sem paraquedas no fundo do céu.” (p. 234)


PESSANHA, Fábio Santana. A hermenêutica do mar: um estudo sobre a poética de Virgílio de Lemos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2013.

2 comentários:

Flávia Campos disse...

Belíssima passagem... estou gostando muito de ler seu livro! :)

Fábio Santana Pessanha disse...

Que bom, Flávia... é o meu corpo palavral...