Na tentativa de dizer o novo, refaz-se a mesmice do vício tautológico. O sujeito é buscado neuroticamente em curvas infinitas de cegueira metafísica... é preciso retirar o véu...
Tautologia
Silenciando o sol,
ao meio-dia
o furor.
Em formas que fundem
livros desmentidos...
o pleonasmo da boca saltou.
Fábio Santana
4 de abril de 2007
26 de março de 2007
Homem: diálogo e poesia
Um poema, comumente, é visto sob a sombra dos conceitos, além de a ele serem atribuídos julgamentos e predicações. Ajuizar um poema é colocá-lo no plano do verbo ser como mero e vazio verbo de ligação. Ou seja, é achar que um poema é isso ou é aquilo. Mas afirmo: um poema não é, opera! E só neste operar é que tal obra é!
Dizer que um poema é, significa relegá-lo ao plano do ente, pois todo ente é à medida que realiza uma realidade do real. Desta maneira, o ente aponta para as realizações do real e o real aponta para o Ser. Ser não como um verbo de ligação, mas como a abertura às questões, como horizonte inalcançável, posto que seja o caminho do originário, o vigor da tensão ser-não-sendo. Então, um poema é a própria vida em andamento, é o agir do homem no vigor de sua liminaridade, é poiesis! À poesia não cabem definições, aparatos técnicos ou avaliações que ocupam a superficialidade das adjetivações. A poesia é o próprio acontecimento do homem como mundo, como vida.
Criar um poema não é se isolar do convívio social e dar vazão a codificações tangentes ao sentimentalismo simplório, muito pelo contrário: é estar efetivamente em contato com a terra, com o próximo, com a vida, com o mundo. Pois poetar é operar, pôr-se em contato com o infinito e dialogar; é adentrar a tensão da interpretação quando esta é o caminho para o original, à proporção em que se dá como originária.
Quanto à linguagem, vivemos nela e para ela. A impossibilidade de um afastamento se configura pelo simples saber de que ela nos antecede e dela somos realizados. Mais uma vez, diferente do que vemos por aí, a linguagem não suporta ocupar as limitações dos conceitos. Isto é, não é em aulas de Lingüística que aprendemos sobre a linguagem. Até porque aí já se mostra uma série de equívocos primordiais, mas que me limito a alguns poucos neste momento: primeiro, não aprendemos a linguagem num contexto estabelecido pela relação de esclarecimento a algo que antes era desconhecido e passou ao espaço do esclarecimento, num movimento de preenchimento do que antes não se tinha conhecimento; segundo, não falamos ou raciocinamos sobre a linguagem: falamos e pensamos linguagem! A preposição "sobre" indica meio como forma de instrumentalização, refere-se a escolher um caminho dentre muitos, desconhecendo o que Heráclito de Éfeso diz em seu fragmento 50: Auscultando não a mim mas o logos, é sábio concordar que tudo é um. Noutras palavras, é dar a um determinado caminho a superação de todos os outros ao colocá-lo como único por meio da exclusão dos demais. Portanto, poetar é ser a linguagem em seu acontecimento, quando acontecer é desocultar o que antes estava oculto, é a verdade se revelando no seu mais profundo e íntimo gesto de desvelamento.
Enfim, o homem e a poesia têm uma relação muito íntima. Só conseguimos perceber tal proximidade quando conseguimos nos desvencilhar do olhar da produção. Isto é, achar que um poema é produto da criação quando configurado como objeto poético. Um poema enquanto poesia é poiesis, logo, é o agir do homem se desvelando como humanidade e se velando como homem. Portanto, viemos do silêncio e, numa simultaneidade do gesto criativo, dialogamos com a poesia na medida em que somos uma doação da poiesis e, em última instância, do Ser.
Dizer que um poema é, significa relegá-lo ao plano do ente, pois todo ente é à medida que realiza uma realidade do real. Desta maneira, o ente aponta para as realizações do real e o real aponta para o Ser. Ser não como um verbo de ligação, mas como a abertura às questões, como horizonte inalcançável, posto que seja o caminho do originário, o vigor da tensão ser-não-sendo. Então, um poema é a própria vida em andamento, é o agir do homem no vigor de sua liminaridade, é poiesis! À poesia não cabem definições, aparatos técnicos ou avaliações que ocupam a superficialidade das adjetivações. A poesia é o próprio acontecimento do homem como mundo, como vida.
Criar um poema não é se isolar do convívio social e dar vazão a codificações tangentes ao sentimentalismo simplório, muito pelo contrário: é estar efetivamente em contato com a terra, com o próximo, com a vida, com o mundo. Pois poetar é operar, pôr-se em contato com o infinito e dialogar; é adentrar a tensão da interpretação quando esta é o caminho para o original, à proporção em que se dá como originária.
Quanto à linguagem, vivemos nela e para ela. A impossibilidade de um afastamento se configura pelo simples saber de que ela nos antecede e dela somos realizados. Mais uma vez, diferente do que vemos por aí, a linguagem não suporta ocupar as limitações dos conceitos. Isto é, não é em aulas de Lingüística que aprendemos sobre a linguagem. Até porque aí já se mostra uma série de equívocos primordiais, mas que me limito a alguns poucos neste momento: primeiro, não aprendemos a linguagem num contexto estabelecido pela relação de esclarecimento a algo que antes era desconhecido e passou ao espaço do esclarecimento, num movimento de preenchimento do que antes não se tinha conhecimento; segundo, não falamos ou raciocinamos sobre a linguagem: falamos e pensamos linguagem! A preposição "sobre" indica meio como forma de instrumentalização, refere-se a escolher um caminho dentre muitos, desconhecendo o que Heráclito de Éfeso diz em seu fragmento 50: Auscultando não a mim mas o logos, é sábio concordar que tudo é um. Noutras palavras, é dar a um determinado caminho a superação de todos os outros ao colocá-lo como único por meio da exclusão dos demais. Portanto, poetar é ser a linguagem em seu acontecimento, quando acontecer é desocultar o que antes estava oculto, é a verdade se revelando no seu mais profundo e íntimo gesto de desvelamento.
Enfim, o homem e a poesia têm uma relação muito íntima. Só conseguimos perceber tal proximidade quando conseguimos nos desvencilhar do olhar da produção. Isto é, achar que um poema é produto da criação quando configurado como objeto poético. Um poema enquanto poesia é poiesis, logo, é o agir do homem se desvelando como humanidade e se velando como homem. Portanto, viemos do silêncio e, numa simultaneidade do gesto criativo, dialogamos com a poesia na medida em que somos uma doação da poiesis e, em última instância, do Ser.
20 de fevereiro de 2007
Folias poéticas de um carnaval noturno*
No carnaval dos paradoxos, as sombras iluminam os cantos e as esquinas do pensamento. Turvam alvas ingenuidades e prevalecem celebrando a infinitude. Por vieses tortos, a escrita se limita ao corpo trancado: organismo dilacerado em desejos inconclusos e cacográficos!
No fim, dá-se o início! E só assim podem caminhar as sombras da poesia perdida à luz do poetar-pensante. Noutras palavras, criar é se desvelar, é sair do oculto e, sempre permanecendo, ser o acontecimento da verdade. Posto que esta é o que se revela em realidade, tensionando com o que se vela em realizações.
O homem é o uno que se desdiz em cada sopro, que se identifica com a efemeridade de um sorriso decadente ao perder sua, então, suposta unicidade. Contudo, não é a unicidade que é perdida, pois só se perde o que se retira e abstrai. Logo, o homem não abstrai seu ser: é homem em cada parte do seu corpo e em cada memória que se diz tanto reminiscência quanto realidade. O que se perde é, exatamente, aquilo que lhe foi presenteado pelo acaso, pelo rebaixamento racionalista do pensamento que diz o ser-homem ser construído socialmente.
As favelas da criação são fantasias forjadas na desilusão da canção perdida em assobios andarilhos. Cada nota é vento que rubra o contorno da percepção e volta à procura da harmonia, perfazendo-se em blocos de virtuais discussões e pessoas re-feitas por arranjos byticos. O carnaval ambíguo, feito de luz e sombras, a todos toma imperceptivelmente na medida em que os poetas se guardam em ilusões colombinas e se mostram no despertar epifânico do canto, da dança e da memória.
A pro-cura é primordial! O retorno (sempre esperado e presente) norteia todos, independente da vontade. A sobriedade do sombrio é o sagrado nas folhas de papel jogadas no lixo. Folhas estas que se metamorfosearam em telas iluminadas e recheadas de pixels que não dão espaço para o respirar, talvez para o transpirar, mas este já digitalmente composto. Os poemas rasgados na lixeira são restos de cansaço, mosaicos de pensamentos tensos, de movimentos furiosos. Tal receptáculo monturo é o continente privilegiado das sobras de elucubrações pífias ou modernamente não aceitas. No entanto, é necessário se ter cuidado e escutar! Auscultar com o ouvido quase penetrando a folha de papel amassado, pois ali está a vida! Ali repousa os caminhos que não encontraram seu “objetivo estético”, ali está a precocidade da não-escuta e o voraz ajuizamento comumente necessário ao descuidado trato poético vigente na modernidade dos suportes (entendamos suporte como o meio pelo qual algo é veiculado e a esse veículo é dada importância desmedida a ponto de se confundir conteúdo com continente em termos de importância essencial).
Ao contrário do que se pensa, poetar é tão simples e natural quanto viver! Pois poesia é vida acontecendo, é aperto de mãos e abraço no amigo querido, é o gorjear dos pássaros nas árvores, é a morte plena trazendo a novidade: doação para a vida, é o horizonte que nos contém e nos aponta as possibilidades. Poesia é ação de estar vivo, é poiesis! Não permite erros: é o próprio erro, quando este transcende mera adjetivação ou oposição metafísica (erro X acerto) e se diz percorrer. Daí que percorrer é se lançar na ambigüidade do caminho e experienciar os não-limites do percurso.
Enfim, criar um poema é a certeza de que toda gama conceitual que nos encobre de normatizações foi desfeita e jogada no limbo da inconseqüência. Criar um poema é poetar livremente, quando somos mundo em acontecimento e nos realizamos como vida!
*Em agradecimento aos "sombrios" e "titânicos" papos carnavalescos.
No fim, dá-se o início! E só assim podem caminhar as sombras da poesia perdida à luz do poetar-pensante. Noutras palavras, criar é se desvelar, é sair do oculto e, sempre permanecendo, ser o acontecimento da verdade. Posto que esta é o que se revela em realidade, tensionando com o que se vela em realizações.
O homem é o uno que se desdiz em cada sopro, que se identifica com a efemeridade de um sorriso decadente ao perder sua, então, suposta unicidade. Contudo, não é a unicidade que é perdida, pois só se perde o que se retira e abstrai. Logo, o homem não abstrai seu ser: é homem em cada parte do seu corpo e em cada memória que se diz tanto reminiscência quanto realidade. O que se perde é, exatamente, aquilo que lhe foi presenteado pelo acaso, pelo rebaixamento racionalista do pensamento que diz o ser-homem ser construído socialmente.
As favelas da criação são fantasias forjadas na desilusão da canção perdida em assobios andarilhos. Cada nota é vento que rubra o contorno da percepção e volta à procura da harmonia, perfazendo-se em blocos de virtuais discussões e pessoas re-feitas por arranjos byticos. O carnaval ambíguo, feito de luz e sombras, a todos toma imperceptivelmente na medida em que os poetas se guardam em ilusões colombinas e se mostram no despertar epifânico do canto, da dança e da memória.
A pro-cura é primordial! O retorno (sempre esperado e presente) norteia todos, independente da vontade. A sobriedade do sombrio é o sagrado nas folhas de papel jogadas no lixo. Folhas estas que se metamorfosearam em telas iluminadas e recheadas de pixels que não dão espaço para o respirar, talvez para o transpirar, mas este já digitalmente composto. Os poemas rasgados na lixeira são restos de cansaço, mosaicos de pensamentos tensos, de movimentos furiosos. Tal receptáculo monturo é o continente privilegiado das sobras de elucubrações pífias ou modernamente não aceitas. No entanto, é necessário se ter cuidado e escutar! Auscultar com o ouvido quase penetrando a folha de papel amassado, pois ali está a vida! Ali repousa os caminhos que não encontraram seu “objetivo estético”, ali está a precocidade da não-escuta e o voraz ajuizamento comumente necessário ao descuidado trato poético vigente na modernidade dos suportes (entendamos suporte como o meio pelo qual algo é veiculado e a esse veículo é dada importância desmedida a ponto de se confundir conteúdo com continente em termos de importância essencial).
Ao contrário do que se pensa, poetar é tão simples e natural quanto viver! Pois poesia é vida acontecendo, é aperto de mãos e abraço no amigo querido, é o gorjear dos pássaros nas árvores, é a morte plena trazendo a novidade: doação para a vida, é o horizonte que nos contém e nos aponta as possibilidades. Poesia é ação de estar vivo, é poiesis! Não permite erros: é o próprio erro, quando este transcende mera adjetivação ou oposição metafísica (erro X acerto) e se diz percorrer. Daí que percorrer é se lançar na ambigüidade do caminho e experienciar os não-limites do percurso.
Enfim, criar um poema é a certeza de que toda gama conceitual que nos encobre de normatizações foi desfeita e jogada no limbo da inconseqüência. Criar um poema é poetar livremente, quando somos mundo em acontecimento e nos realizamos como vida!
*Em agradecimento aos "sombrios" e "titânicos" papos carnavalescos.
11 de fevereiro de 2007
Sinos mnemônicos da antropofagia digital
...a memória me traz os acontecimentos. Melhor: joga-me neles ao mesmo tempo em que me faz acontecer como memorável. Se memória é sentido, aponta um caminho numa dinâmica que é também o próprio caminho...
Lembra-se daquela igreja? Sim, seus sinos ainda são pontuais. Cada badalar ecoa, num instante, as reminiscências de uma dimensão extra. Contudo, sou poeta. Sou a história acontecendo, sou a linguagem em pleno vigor, sou música e musical. Então, o tal instante insta, para, no mesmo momento, deixar de existir como lembrança sob a égide da aniquilação.
As reminiscências extrapolam o lugar do conceito e se abrem mnemonicamente (Mnemósine). É memória viva desde sempre presente. É a possibilidade de todo possibilitar.
Os sinos deixam o altar e se sacralizam no próprio infinito. Mas não se sacralizam como num mecanismo de antes e depois, ou seja, não se configura uma situação em que antes não eram para depois passarem a ser sagrados. Portanto, já desde sempre o são. O que houve foi a destruição da escada após cada degrau alcançado. Daí, os sinos continuam a bater independente de qualquer antropofagia: high-tech... high-tech... high-tech...
High-tech
Na travessia do que vejo,
ao fechar os olhos
o bocejo da musa
sussurra o absurdo do nada.
O dizer que se fala calado
escuta o grito do coma espiritual
dos que repousam a cética liturgia
na hipermodalidade do desigual reflexo
Um toque.
Um clique.
A máquina da evolução
trava o andamento do espanto
ao cerrar a imaginação de outrora.
Fábio Santana
Lembra-se daquela igreja? Sim, seus sinos ainda são pontuais. Cada badalar ecoa, num instante, as reminiscências de uma dimensão extra. Contudo, sou poeta. Sou a história acontecendo, sou a linguagem em pleno vigor, sou música e musical. Então, o tal instante insta, para, no mesmo momento, deixar de existir como lembrança sob a égide da aniquilação.
As reminiscências extrapolam o lugar do conceito e se abrem mnemonicamente (Mnemósine). É memória viva desde sempre presente. É a possibilidade de todo possibilitar.
Os sinos deixam o altar e se sacralizam no próprio infinito. Mas não se sacralizam como num mecanismo de antes e depois, ou seja, não se configura uma situação em que antes não eram para depois passarem a ser sagrados. Portanto, já desde sempre o são. O que houve foi a destruição da escada após cada degrau alcançado. Daí, os sinos continuam a bater independente de qualquer antropofagia: high-tech... high-tech... high-tech...
High-tech
Na travessia do que vejo,
ao fechar os olhos
o bocejo da musa
sussurra o absurdo do nada.
O dizer que se fala calado
escuta o grito do coma espiritual
dos que repousam a cética liturgia
na hipermodalidade do desigual reflexo
Um toque.
Um clique.
A máquina da evolução
trava o andamento do espanto
ao cerrar a imaginação de outrora.
Fábio Santana
Minha página pessoal no Blocos Online
Isso mesmo!! Como menciona o título deste post, agora tenho uma página no Blocos Online. Para quem não conhece, o Blocos é um dos sites mais importantes no que diz respeito à divulgação cultural de nosso país. Como está escrito em sua página inicial: "Blocos é considerado um dos sites mais importantes do mundo pela UNESCO - United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization."
Vale a pena acessar e conferir o material disponível no site em questão e, para facilitar, este é o link da minha página: http://www.blocosonline.com.br/literatura/autor_poesia.php?id_autor=3277&flag=nacional
Vale a pena acessar e conferir o material disponível no site em questão e, para facilitar, este é o link da minha página: http://www.blocosonline.com.br/literatura/autor_poesia.php?id_autor=3277&flag=nacional
31 de janeiro de 2007
A pro-cura... o horizonte...
Estamos sempre à pro-cura, buscamos o que nos é próprio mesmo quando não idealizamos tal busca, pois já estamos desde sempre lançados no positivo de toda negatividade, assim como na negação do otimismo.
Somos o acontecimento da história na tensão do tempo, na memória, no que foi, é e será. E seremos sempre!
Apontamos em direção ao horizonte e nele nossa busca se faz eterna, pois a morte é o principiar de um fim na medida em que caminhamos. Sabendo que este caminhar não é um percurso retilíneo, linear, mas todo o tempo se realizando no porvir do que já se foi.
Não como ilustração, mas como o movimento de um pensar, trago o poema Horizonte. Até porque um poema nunca ilustra: acontece, cria seu lugar e uma realidade. Vamos à criação!
Horizonte
O pássaro.
As asas.
Em aberto céu,
as plumas em alvoroço
se admiram ao tocar o vazio.
O horizonte se expande
na inóspita queda:
o pensamento.
Em cada regurgitar de asas
singra liberta a ave
em mar etéreo.
O cemitério de todas as coisas
se fecha no respaldar taciturno
da fronte desguarnecida:
doce acalento das musas à eternidade.
O céu se abre na envergadura do infinito
e o mundo se vislumbra
no destino triunfal do espanto.
Fábio Santana
Somos o acontecimento da história na tensão do tempo, na memória, no que foi, é e será. E seremos sempre!
Apontamos em direção ao horizonte e nele nossa busca se faz eterna, pois a morte é o principiar de um fim na medida em que caminhamos. Sabendo que este caminhar não é um percurso retilíneo, linear, mas todo o tempo se realizando no porvir do que já se foi.
Não como ilustração, mas como o movimento de um pensar, trago o poema Horizonte. Até porque um poema nunca ilustra: acontece, cria seu lugar e uma realidade. Vamos à criação!
Horizonte
O pássaro.
As asas.
Em aberto céu,
as plumas em alvoroço
se admiram ao tocar o vazio.
O horizonte se expande
na inóspita queda:
o pensamento.
Em cada regurgitar de asas
singra liberta a ave
em mar etéreo.
O cemitério de todas as coisas
se fecha no respaldar taciturno
da fronte desguarnecida:
doce acalento das musas à eternidade.
O céu se abre na envergadura do infinito
e o mundo se vislumbra
no destino triunfal do espanto.
Fábio Santana
13 de janeiro de 2007
Shhhhhiiiii... silêncio...
9 de janeiro de 2007
Mais um percurso...
Hoje pensei o medo. Mas não tive medo. O que é a posse?
Pensando o medo esbarrei no limite. Não no limite do medo, mas no limite que faz o medo ser o percurso entre o princípio de uma certeza e a fragilidade de sua extinção.
Agradecimentos ao meu amigo Branco.
Pensando o medo esbarrei no limite. Não no limite do medo, mas no limite que faz o medo ser o percurso entre o princípio de uma certeza e a fragilidade de sua extinção.
Agradecimentos ao meu amigo Branco.
8 de janeiro de 2007
Alguns pensamentos da madrugada...
O alvorecer de um pensamento desnuda qualquer viabilidade do não-acontecimento da brutal cisão do nada. Num refluxo respiratório, toda uma vida se esvai arroto abaixo pelo bueiro da inconsequência. E o que sobrou?
Respondo: pícaros esqueléticos que vigem na sombra de qualquer descrente do esvaziamento aniquilatório da verborragia infame!!! E daí? Mais buracos são desfeitos na ocorrência da longevidade incrédula do ambulante exaurido.
************************************************************************************
Qualquer palavra só é dita na medida do pensamento quando este se volta ao princípio, ao originário de si mesmo e concresce com aquele que abre os olhos e se joga na anterior escuridão do raciocínio.
************************************************************************************
Qualquer palavra pronunciada carrega os restos de saliva dos mal-cheirosos pensamentos em orgia com a beleza da ingenuidade de um pôr-do-sol.
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Qualquer elogio é inversamente proporcional ao umbigo!!!!
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Respondo: pícaros esqueléticos que vigem na sombra de qualquer descrente do esvaziamento aniquilatório da verborragia infame!!! E daí? Mais buracos são desfeitos na ocorrência da longevidade incrédula do ambulante exaurido.
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Qualquer palavra só é dita na medida do pensamento quando este se volta ao princípio, ao originário de si mesmo e concresce com aquele que abre os olhos e se joga na anterior escuridão do raciocínio.
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Qualquer palavra pronunciada carrega os restos de saliva dos mal-cheirosos pensamentos em orgia com a beleza da ingenuidade de um pôr-do-sol.
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Qualquer elogio é inversamente proporcional ao umbigo!!!!
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Umbigo!!!!!!!!!!!!
3 de dezembro de 2006
Interpretação do poema “Canção excêntrica”, de Cecília Meireles
Canção excêntrica
Ando à procura de espaço
Para o desenho da vida.
Em números me embaraço
E perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
Em vez de abrir um compasso,
Projeto-me num abraço
E gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
É já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
Começa a achar um cansaço
Esta procura de espaço
Para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
Não me animo a um breve traço;
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.
Movimentos do poema:
1º movimento
3º movimento
Ando à procura de espaço
Para o desenho da vida.
Em números me embaraço
E perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
Em vez de abrir um compasso,
Projeto-me num abraço
E gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
É já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
Começa a achar um cansaço
Esta procura de espaço
Para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
Não me animo a um breve traço;
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.
Movimentos do poema:
- 1º: v. 1-10
- 2º: v. 11-14
- 3º: v. 15-18
É uma canção por sermos música. É a invocação dos poetas às Musas, quando entusiasmados cantam, uma vez que a fala é o canto na medida em que este só o é na música.
Excêntrico é o que foge do centro, ou seja, é a procura inevitável que cada um de nós faz na vida. Assim, considerando o círculo, o centro pode ser entendido como um ponto de partida para o qual caminhamos perenemente ansiando o seu reencontro. Nesse sentido, centro não é só o local para o qual algo converge, mas o princípio de onde um questionamento começa.
Então, podemos pensar que "canção excêntrica" é o canto inaugural que realizamos na procura do que nos é próprio.
O primeiro movimento está centrado no “eu”, isto é, em mim. Em você, mas não sendo o outro, e sim sendo o próprio. Noutras palavras, o foco está sobre quem lê no ato da leitura sem ser observado por um suposto agente. Já que é este agente instituído que serve como referência para a determinação das pessoas verbais no discurso, ou seja, “ele” só é terceira pessoa porque existe um “eu” (primeira pessoa) que determina tal hierarquização ao observar o outro. Logo, retomando o início, o centro do primeiro movimento está em mim, em você ou nele sendo único no momento da leitura.
Tendo como ponto de partida os verbos, “andar” indica o procurar, o caminhar responsável pelo desenho da vida (v. 2). E este desenho é o que nos diferencia como pessoas ao mesmo tempo em que nos identifica como seres inquietos e incompletos enquanto viventes (sendo vida). Então, à proporção que ando (v. 1), lanço-me na vida à procura do que me é próprio.
Observando os verbos, notamos que todos se referem gramaticalmente à primeira pessoa do discurso. Exceto um que não manifesta o suposto sujeito gramatical eu: o é (ser). Se fôssemos traçar um viés gramatical, seria dito que o verbo “ser”, conjugado na terceira pessoa do singular, funciona como verbo de ligação entre o substantivo distância (v. 10) e o adjetivo perdida (v. 10). Contudo, como não queremos incorrer na superficialidade gramatical que prima exclusivamente pela funcionalidade, o tal verbo de ligação É (v. 10) deixa essa perspectiva de palavra vazia de significado e figura poeticamente como o que viabiliza, por seu vigor, a possibilidade de a distância (como o caminho a ser percorrido no “andar”) se plenificar mediante a tensão entre o que se tem e o que não se tem (perdida – v. 10), ou melhor, entre ser e não-ser, quando jogados no tempo (já – v. 10). Mas, por enquanto, deixemos essa discussão em suspenso.
Retomando o verbo “andar”, temos que, à medida que andamos, perdemo-nos da mesma forma que nos encontramos constantemente. Então, é na tensão entre “embaraçar” ([...] embaraço [...], v. 3) e [...] encontrar [...] (v. 5) que o andar/perder se manifesta quando somos lançados no tempo – [...] sempre [...], v. 4. E a ideia do tempo se mostra também na tensão entre o medir – [...] medida, v. 4 – e o sair – [...] saída, v. 5 – uma vez que a impossibilidade de uma medida para a vida se expurgaria numa saída ou solução. Porém, novamente, a resposta não se dá por encerrada quando, na incerteza demonstrada pela conjunção alternativa Se [...] (v. 5), projetamo-nos adiante de algum lugar, inviabilizando o fim do caminhar. Perder a medida é ir contra a razão, já que medir é uma instituição racional de tentar conter uma totalidade num conceito, quando este limita a ambiguidade daquilo que acontece como questão. Assim, perdemos sempre a medida, pois a vida nos joga ao embate contínuo do estar vivendo.
No verso 6, [...] abrir um compasso nos diz uma tentativa, ainda, de solucionar o inesperado através de uma resposta que já se teria pronta (um conceito). Todavia, podemos cogitar que abrir significa nos mostrar o novo, irromper com o que está fechado, definido, conceituado. Noutras palavras, é uma tentativa de se quebrar o que já está determinado, uma vez que o compasso (v. 6), embora relacionado com o círculo, a ele não se poderia atribuir essa referência ao que se chama círculo poético, por consideramos que, neste, o círculo não se fecha no início, mas, tendo em vista o contexto aqui inserido, principia-se no fim quando se proporciona a soltura do eixo a que a outra ponta do compasso se prende. Daí que na abertura ocorre uma projeção – projeto-me (v. 7) – e neste movimento de ir além é que nos geramos continuamente. Gerar – [...] gero [...] (v. 8) – é, então, dar origem, desvelar o que se vela, indo ao originário. Por isso, quando o verso 8 diz: E gero uma despedida, tal despedida é o acontecimento do porvir, pois despedir-se de algo é deixá-lo para trás quando nos lançamos na tensão entre o que está acontecendo e o que irá acontecer. Enfim, é o experienciar da e na história.
No final do 1º movimento nos vem que:
Se volto sobre o meu passo,
É já distância perdida.
Aqui, retomamos o que fora dito sobre o verbo “ser” quando ele extrapola a condição gramatical de se constituir apenas como verbo de ligação para imprimir o vigor que se depreende da conjuntura do homem enquanto manifestação do Ser.
Na medida em que volto (v. 9), não é possível refazer ou reviver um percurso. Este se completa à proporção que passa e se constitui em passado imutável. Dessa maneira, traz a ideia temporal que é reforçada pelo advérbio de tempo já (v. 10), quando este nos diz “o agora”. Ou seja, manifesta o tempo no qual imergimos e desponta no que está por acontecer, sabendo que o agora só se dá enquanto vigor do entre, pois é sempre uma tensão do presente em disputa com o futuro sendo passado.
2º movimento
Neste movimento, o coração (v. 11) também se relaciona diretamente com o título, isto é, com a ideia de “fuga do centro” quando sinaliza o centro do homem ou da vida ainda numa perspectiva superficialmente orgânica. Mas, se considerarmos a amplitude do pensamento oriental, ao coração se atribui a tensão do entre. De outro modo, seu movimento de sístole e diástole é a percepção da ação e retração do corpo quando inserido no tempo, ou seja, tanto se expande quanto se retrai num ciclo temporal, tendo em vista que o ciclo é infinito e circular. Em Meu coração, coisa de aço (v. 11), aço é vigor. É o que traduz a dicotomia do coração, revelando a disputa que se harmoniza no equilíbrio.
À medida que a vida avança, transbordamo-nos de procura, de achar o que é nosso, nosso princípio. Daí, caminhar incessantemente causa dor, aflição, cansaço (v. 12). Já que viver é estar lançado na liminaridade, portanto, é uma constante tensão que nos movimenta, retirando-nos da letargia. Assim, perder o centro, aquilo que racionalmente confortaria a vida, quando vista sob uma ótica linear, é traumático e causa mudança.
“Procurar um espaço para que a vida se desenhe” é o mesmo que ficar atrelado ao compasso, quando este não rompe com o que cristaliza o movimento de repetição: o centro no qual sua outra haste se fixa. Este centro deve ser rompido ao nos abrirmos e nos projetarmos na vida. Então, temos que o segundo movimento se focaliza no coração, mas não como órgão físico, e sim como centro, vitalidade oriunda da dicotomia entre ação e retração do tempo, ou melhor, entre vida e morte.
Quase uma continuação do segundo movimento, o terceiro muda o foco quando o verbo animar – me animo (v. 16) – retoma o eu, o nós, enfim, aquele que lê (conforme já discutido anteriormente).
Animar é principiar, voltar-se à origem num ímpeto vigoroso de dar vida. Entendendo a vida por energia, a alma é o centro dessa energia, dessa força e vigor. Entretanto, não numa separação metafísica entre corpo e alma, e sim pensando nos dois como um só, já que um e outro se completam à medida que se compreendem, quando compreender é se entender ao se perceberem mutuamente .
Habitando temporalmente o limiar entre o desgaste e a descrença, onde a conjunção e manifesta tal acontecimento, como vemos no trecho Já por exausta e descrida (v. 15), inserimo-nos e nos realizamos como morada desta tensão na medida em que desejamos a realização de um ideal ao mesmo tempo em que este perde seu brilho e se descaracteriza como procura ao ser realizado quando é alcançado: - saudosa do que não faço, / - do que faço, arrependida (v. 17-18).
Então, ao relacionarmos os verbos “animar” e “fazer”, tanto um quanto o outro trazem a ideia de movimentação. Um – “animar” – dá a possibilidade e é em si o movimento enquanto o outro – “fazer” – é o movimento em sua realização. Todavia, eles vêm acompanhados de uma partícula negativa: o advérbio de negação “não”, ou seja, Não me animo [...] (v. 16) e [...] não faço (v. 17). Essa negação ainda é reforçada mais adiante pelo adjetivo arrependida (v. 18). Daí vem que tais negações demonstram a condição liminar do homem, quando negando ele se afirma. Logo, no trecho [...] um breve traço (v. 16) vemos a figura do seu caminhar em diálogo com o sentido do compasso (v. 6), reavendo a discussão entre a liberdade do viver e o aprisionamento do centralizar, considerando este uma moldura racional que não dá conta da plenitude humana.
Enfim, o centro deste terceiro movimento está, exatamente, na conjunção e (v. 15) por manifestar a tensão inerente ao homem, sendo este o ser do limiar concretizado na procura do que lhe é próprio.
15 de novembro de 2006
Os sonhos??? (Resposta ao comentário do poema "Em algum lugar da existência")
"Onde estão os sonhos?", onde estão?... hum... talvez na poética das pedras, na vertigem! Os sonhos estão em todo lugar! Na morte, pois a morte não é o fim, mas a origem, ou melhor: o originário. A vida é uma doação da morte, ou seja, a criação vem do vazio, do nada, do não-visível: Eros e Thanatos em tensão permanente e essencial ao caminhar.
E, para compor a discussão:
E, para compor a discussão:
Vertigem
Qual a poética das pedras?
Quando paradas,
Movimentam o chão das rosas fumegantes
Que, em lágrimas, vertem a dor sofrida
Dos cristais de emoções perdidas.
As nuvens que do alto céu
Caem em orvalho santo
Rezam o orgasmo febril
Dos corpos em suor desfeitos
E, na carne penetrada,
O gozo corre sangue fervente
Em flamas que se esvaem em sordidez.
Rio de escárnio,
Guardião do oculto...
Em suas sombras toda perdição se acha.
Escuta a cura da dor
Que na procura se revela inculta.
Ai do livro aberto na sonolência atenta do leitor!
Cada pálpebra diz um conto
Que se finda tanto quanto principia um piscar.
Doação da luz à escuridão
No calar pueril em noite mal dormida
Desvela a verdade em lápide sepulcral.
Qual a poética das pedras?
Quando paradas,
Movimentam o chão das rosas fumegantes
Que, em lágrimas, vertem a dor sofrida
Dos cristais de emoções perdidas.
As nuvens que do alto céu
Caem em orvalho santo
Rezam o orgasmo febril
Dos corpos em suor desfeitos
E, na carne penetrada,
O gozo corre sangue fervente
Em flamas que se esvaem em sordidez.
Rio de escárnio,
Guardião do oculto...
Em suas sombras toda perdição se acha.
Escuta a cura da dor
Que na procura se revela inculta.
Ai do livro aberto na sonolência atenta do leitor!
Cada pálpebra diz um conto
Que se finda tanto quanto principia um piscar.
Doação da luz à escuridão
No calar pueril em noite mal dormida
Desvela a verdade em lápide sepulcral.
Fábio Santana
6 de novembro de 2006
Jornada de Iniciação Científica
É amanhã (07/11/2006)... E eu pergunto: onde fica o pensamento livre, a filosofia na educação quando nós (orientandos oprimidos pelo academicismo) somos castrados ideologicamente na repetição da repetição do que está nos "sagrados" postulados teóricos?
Diz o professor (felizmente, aqui não é uma totalidade): "Quem é você para questionar o teórico "tal"?...
Enfim, na sala F-214 da Faculdade de Letras, às 16:15h do dia mencionado haverá uma experienciação pessoal do que fora acima mencionado.
Viva a farsa em sua plenitude!!!!
4 de novembro de 2006
Poesia publicada no jornal da faculdade
Na última edição do Jornal Letras pelas Letras, tive o grande prazer de dividir o espaço do mesmo com os companheiros de poesia que tanto enchem a Faculdade de Letras da UFRJ de lirismo.
Trago aqui a poesia que publiquei no jornal e, como sabem, fiquem à vontada para criticar!
Em algum lugar da existência
De outro sem ninguém
Vem o lugar algum do execrado interlocutor.
As palavras ocupam o não-lugar,
Incendeiam o inaudito, o inefável.
Áreas fúnebres,
Funestas inscrições circunscritas
No arrebatar do indivíduo.
Chuvas torrentes,
Mananciais corrompidos pela impureza das maledicências.
Vil imagem penetrante num ser transtornado,
Sua dúvida é sua dor.
Infatigável não saber maldito!
Correr é vagar inutilmente
De volta ao não-lugar.
Doce retorno a não-presença,
Corrói a carne do herói quixoteano
Que das La Manchas nunca ouviu falar...
Irreconhece a cultura da aproximação.
Doce bárbaro descrente de sua própria obra,
Seu ser é a ausência,
É o nada plagiado do texto de outrora.
Mil visões perambulam frente aos olhos lacrados.
Mimeticamente, os pensamentos se verbalizam em ações.
Verborragias fúteis.
Encarnam no homem subjugado ao seu próprio não-saber,
Inconsciente da maldição que o assola.
O mesmo homem acorda todas as manhãs
E prossegue sua via
Mais um morto que se levanta...
De outro sem ninguém
Vem o lugar algum do execrado interlocutor.
As palavras ocupam o não-lugar,
Incendeiam o inaudito, o inefável.
Áreas fúnebres,
Funestas inscrições circunscritas
No arrebatar do indivíduo.
Chuvas torrentes,
Mananciais corrompidos pela impureza das maledicências.
Vil imagem penetrante num ser transtornado,
Sua dúvida é sua dor.
Infatigável não saber maldito!
Correr é vagar inutilmente
De volta ao não-lugar.
Doce retorno a não-presença,
Corrói a carne do herói quixoteano
Que das La Manchas nunca ouviu falar...
Irreconhece a cultura da aproximação.
Doce bárbaro descrente de sua própria obra,
Seu ser é a ausência,
É o nada plagiado do texto de outrora.
Mil visões perambulam frente aos olhos lacrados.
Mimeticamente, os pensamentos se verbalizam em ações.
Verborragias fúteis.
Encarnam no homem subjugado ao seu próprio não-saber,
Inconsciente da maldição que o assola.
O mesmo homem acorda todas as manhãs
E prossegue sua via
Mais um morto que se levanta...
Fábio Santana
15 de outubro de 2006
Percepção do acaso
Num dia de espera para uma reunião, a humanidade vocifera à minha frente... um olhar poético sobre a vida em sua concrescência...
A noite passada (a captura do alheio)
Blocos de concreto
Beijam invisíveis a vida
No acontecimento de dois corpos
Cada choque
Tapas ao vento
Encontros marcados ao acaso
Quando o casual dita o caminho
O fingimento é verdadeiro
Nada de pactos
Compromissos acertados
Ou sapatos amarrados
Viva o café esfriando ao relento!
A casa destrancada!
Os relógios corretos sob sete terras!
Vou agora mesmo
Me desvencilhar da dor
Que salpica os poros da pele
Em respiração aspirada
Partirei deixando a luz acesa
A iluminar o horizonte
E a janela aberta
Ao acolhimento das folhas secas.
Blocos de concreto
Beijam invisíveis a vida
No acontecimento de dois corpos
Cada choque
Tapas ao vento
Encontros marcados ao acaso
Quando o casual dita o caminho
O fingimento é verdadeiro
Nada de pactos
Compromissos acertados
Ou sapatos amarrados
Viva o café esfriando ao relento!
A casa destrancada!
Os relógios corretos sob sete terras!
Vou agora mesmo
Me desvencilhar da dor
Que salpica os poros da pele
Em respiração aspirada
Partirei deixando a luz acesa
A iluminar o horizonte
E a janela aberta
Ao acolhimento das folhas secas.
Fábio Santana
10 de outubro de 2006
A proposta deste blog

Que a poesia seja compartilhada por todos os inquietos do pensamento! Este é um local em que cada poema, cada reflexão deseja ser repensada e recriada por mãos teclantes diversas. É um convite à ilusão, à entrega do devir poético...
Que a ilusão paire nas "retinas fatigadas" por pixels e sombras dos poetas incansáveis .
Mais um poema à vontade da recriação:
Ensaio à ilusão
Tudo que toco
Resvala líquido
Entre impressões.
Aquilo que vejo
Em luz se esvai
Rumo à imaginação.
Um livro...
Pequena morte encerrada entre páginas:
Ilusões forjadas.
Tudo que toco
Resvala líquido
Entre impressões.
Aquilo que vejo
Em luz se esvai
Rumo à imaginação.
Um livro...
Pequena morte encerrada entre páginas:
Ilusões forjadas.
Fábio Santana
9 de outubro de 2006
Uma contribuição poética a fim de movimentar as engrenagens do pensamento
Recôncavo das sombras
Na escuridão veemente
De buracos tortos,
As sombras em seu oposto
Vagam pastoris por vales sem céu.
Ocupam toda ausência
E se obscurecem na míngua lua abrilhantada
Que antecede cada flerte imberbe
No resvalar da longitude iníqua.
Em cada lar transeunte,
Suas faces ocultas
Riem-se lágrimas paradoxais
No caminho em mar desfeito.
E no esconderijo de cada pensamento
Suas vozes eclodem em erosão
Quando repetem nomes nunca ditos.
Assim, na falácia dos verbos incompreendidos
E no círculo da poesia inconclusa,
Jazem moradas em corrupta solidão.
Na escuridão veemente
De buracos tortos,
As sombras em seu oposto
Vagam pastoris por vales sem céu.
Ocupam toda ausência
E se obscurecem na míngua lua abrilhantada
Que antecede cada flerte imberbe
No resvalar da longitude iníqua.
Em cada lar transeunte,
Suas faces ocultas
Riem-se lágrimas paradoxais
No caminho em mar desfeito.
E no esconderijo de cada pensamento
Suas vozes eclodem em erosão
Quando repetem nomes nunca ditos.
Assim, na falácia dos verbos incompreendidos
E no círculo da poesia inconclusa,
Jazem moradas em corrupta solidão.
Fábio Santana
8 de outubro de 2006
O início da irreversibilidade
Poetas...
Alguéns controversos que habitam a propriedade irreversa de ser criatura da criação e vice-versa. Título infamemente aclamado por alguns poucos loucos que teimam em existir na resistência verborrágica do pensar gestos e esquizofrenias.
Assim inicio esta jornada lúdica por meandros virtuais e quixotescos, convidando a todos que se acharem suficientemente e descarnadamente anormais a partilhar dessa sólida irrealidade.
Senhores poetas, bruxos das palavras: que a orgia do pensar seja celebrada!
Alguéns controversos que habitam a propriedade irreversa de ser criatura da criação e vice-versa. Título infamemente aclamado por alguns poucos loucos que teimam em existir na resistência verborrágica do pensar gestos e esquizofrenias.
Assim inicio esta jornada lúdica por meandros virtuais e quixotescos, convidando a todos que se acharem suficientemente e descarnadamente anormais a partilhar dessa sólida irrealidade.
Senhores poetas, bruxos das palavras: que a orgia do pensar seja celebrada!
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